Caem com a chuva da manhã
Todos os meus sonhos elevados.
Batem na janela chamando por mim
Tentando me acordar para a realidade que hoje desperta.
E eu permaneço imune e silenciosa,
Olhando através do vidro da alma,
Cada gota como um grito de desespero,
Dissolvendo a ilusão que me aconchega.
Cresce em mim o desejo do sol sombrio
Que me ilumina o pensamento, que me impede de pensar!
Não! Não quero pensar!
Quero afastar de mim a dor que me pesa,
Pelo conhecimento que o pensamento me dá.
Volta ilusão!
Pára essa chuva que me dissolve por entre pensamentos inúteis
Que me levam à loucura!
E é nessa loucura, que saio à rua,
Caem-me as gotas como punhais, ferindo-me os olhos.
Deixo de ver!
A realidade que me rodeia e sinto,
Um raio de sol entrando em mim…
A chuva parou!
Agora corre o rio,
Como vida que passa, o que foi jamais voltará,
E sou novamente, feliz.

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