terça-feira, 31 de agosto de 2010


Fomos felizes envoltos na utopia,
Nos sonhos que na luz da lareira dançavam, movidos entre as chamas da paixão,
Aquecendo cada canto do que chamávamos amor.
O relógio marcava as horas, os ponteiros compassados apressavam as horas que não passavam.
As horas que não eram mais do que partículas dispersas no tempo, sem poder sobre o que éramos nós.
Apenas restam pequenos fragmentos da ilusão que outrora enchera a nossa casa, o nosso amor.
Fomos felizes. Somos ruínas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E se o teu amor for como grãos de areia, dissolvendo-se por entre a espuma das ondas?
Com que ficarei?
Photo by: a.m

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Estas linhas que te escrevo

Estas linhas que te escrevo
................................................................. [Com sabor a sal]
São linhas e entrelinhas de pensamentos bruscos e sem sentido,
Que se perdem no sentido que dei ao que chamo de vida.
Não são mais,
Que sufocos adormecidos pelo tempo,
Por poeiras de optimismo transformadas em ilusões incandescentes,
Entre os olhos de quem me olha, com paixão mas sem razão…
São desejos e sonhos envoltos em medos,
Da rejeição de quem em mim colocou utopias elevadas em pedestais,
Alimentando esperanças num leito infértil.
E assim perdi,
A noção da essência do meu ser, e não me encontro, nem me reconheço,
Por entre os fragmentos das minhas entranhas e a superfície polida que todos olham e vêm.

Se eu não me vejo, como consegue alguém me ver ?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Hoje apeteceu-me...

Hoje apeteceu-me construir algo novo,
Diferente de tudo o que construi até agora.
Hoje apeteceu-me deitar por terra tudo o que foi feito,
Todos os sonhos, todas as ilusões.
Hoje apeteceu-me fazer nascer um novo eu,
Renascer por entre fragmentos daquilo que um dia fui.
Hoje apeteceu-me deixar-te,
Trocar-te por algo mais leve, mais fresco, mais sensível.

[E olhando para outra direcção, partir para um novo sentido]

Hoje apeteceu-me sentir pela primeira vez,
Um olhar por entre um rosto envergonhado.
Hoje apeteceu-me lutar pelo desejo,
Seguir o coração pelos caminhos que não conhece.
Hoje apeteceu-me tocar-te
Sentir a tua pele, o teu calor.
Hoje apeteceu-me, mas não fui capaz
E então saciei-me apenas com um leve toque confundido por entre a multidão
Na esperança de que amanha me volte a apetecer
E seja capaz,
De sentir novamente.

Photo by: a.m

terça-feira, 2 de junho de 2009


Anoitece a alma exposta
Fria sem o calor que emana do teu corpo.
E espero por ti
Na sombra das horas
No mundo inconstante dos meus pensamentos.
Espero por ti e a chama desvanece
Por entre os ponteiros do relógio que anunciam a tua chegada,
A cada minuto, a cada hora…
Adormeço por um segundo no sonho que foi o nosso,
Longe do tempo, da vida efémera.
E outro segundo que passa, em rodopios constante e lentos
Como a dor que me atormenta.
E tu não chegas, não voltas na volta das horas,
Nos raios de sol da manha que aquecem o corpo
E cessam a alma gélida para mais uma noite de solidão.

Photo by: a.m

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Magoa-me magoar-te desta forma,
Sem o saberes, sem o sentires.
Apenas vês o que o passado deixou, por linhas e entrelinhas, rectas sem sentido.
Passado presente em ti, mágoa em mim…
Os mesmos actos já não têm o mesmo sabor,
E o encanto desvaneceu-se em outro encanto que surgiu.
Pinto a escuridão que reside, com cores mil em outro leito,
Imaginário que consigo saborear e sentir,
Em cada toque teu, em cada pensamento meu que o transforma
Num simples gesto de outras mãos.
O que eras não és, e o teu corpo tomou outra forma, outro nome…


Photo by: a.m