quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Vento

Em manhãs solarengas
Passeias na tua calma,
Trazendo o sabor da tua brisa
Aos amantes enamorados, acalentando a sua alma.

Conselheiro de todas as horas,
Todos procuram o teu sopro
Que trás calma,
À alma e ao corpo.

Na noite sombria,
Todos te afastam,
Caminhas só por entre os arvoredos
Lamentando os que te detestam.

Enfureces a tua natureza
Deixando um rasto sem fim
Ferindo a tua essência
No que resta de ti.

Vento que tudo percorres,
Tomando a forma do que encontras,
Espreitando cada canto e recanto
Sem saber realmente quem és!

Assim sou eu…





Photo by a.m

quarta-feira, 19 de novembro de 2008


Levas-me os olhos ao horizonte,
Procurando o que há muito partiu,
Trazes-me o consolo
No teu vai e vem de esperança.
Sinto o teu sabor em meus lábios
Amargo de lágrimas em ti derramadas,
Mágoas depositadas em tempestades de tormenta.
Tanto sofrimento causas-te na extensão do teu ser,
Tantas vidas tiraste e outras tantas desfizeste,
E tantos te amam e navegam em ti
Procurando o que outrora outros procuraram,
Eu procuro em ti e não encontro o que de mim levas-te
E junto as minhas lágrimas, a tantas outras que possuis…
Chamam-te mar!
Chamo-te mágoa…


Photo by:a.m

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

- Amo-te!
- Amas?
- Claro que sim!
- Amar não é suficiente…
- Claro que é! Amar é tudo!
(Silêncio)
- Ficas comigo?
- Tenho de ir.
- Agora?
- Sim.
- Preciso de ti…
(Silêncio)
- Onde vais?
- Embora.
-Mas… Não ficas?
- O meu amor fica, estou sempre contigo!
- Preciso de um abraço…
- Amanhã! Tenho um mundo lá fora à espera.
- Amanhã é tarde.
- Bem cedo meu amor, bem cedo.

Photo by a.m

terça-feira, 30 de setembro de 2008


Surges bela como uma deusa
no teu negro profundo e triste,
iluminando a escuridão por onde passas
com o teu brilho inigualável.
A tua face carregada esconde um mundo secreto de pensamentos inatingíveis,
revelados em pequenos fragmentos deixados para trás.
São nesses fragmentos que encontro o meu refúgio,
Onde me revejo sem ser,
Me transformo em mim, nas incertezas que sou…
E assim continuo, procurando cada bocadinho teu,
na esperança que vivas um sonho partilhado,
que eu jamais posso viver.

a ti, que não me (re)conheces
Photo by a.m

domingo, 31 de agosto de 2008

Memórias

Hoje passei na casa (Aquela casa),
Onde me sentava contigo, horas, em silêncio…
Gritos mudos ecoavam nas paredes vazias,
Enraivecidas pelo tempo, pesadas de fardos d’outrora,
Gritando também elas de desespero.
Ainda sinto o frio da pedra onde nos sentávamos,
Percorre o meu corpo como espada afiada,
Dilacerando a minha alma.
Saudade…
Do raio de sol tímido que escapava por entre os ramos do cedro,
Iluminando os nossos rostos envergonhados,
Por palavras nunca ditas (e sentidas).
Dá-me a mão!
E ali ficávamos enternecidos por promessas não ditas,
Ali depositadas e em mim e em ti (não sei)...
Fomos felizes sem palavras.
A casa (Aquela casa),
Desmoronou-se lentamente, comigo, contigo, com as palavras proferidas,
Amargas, doces… Que importa?
O sol já não espreita,
As paredes ruíram de dor,
As promessas morreram ali,
Em ti, em mim (não sei).
A pedra continua, firme e fria,
Lembrando dias de calor jamais esquecidos.
Photo by: a.m

domingo, 13 de julho de 2008

Até logo...

Fizeste-me!
Entrar no teu mundo sem querer,
Percorrer todo o caminho da tua alma
Conhecer cada recanto da tua memória
Vida passada por entre tormentos esquecidos com o tempo
Orgulho de feridas causadas, cujo sangue ainda corre nos teus olhos
Como um rio que flui, intenso por entre lágrimas derramadas que enriquecem o seu leito.
E continuei caminhando nesse teu mundo sombrio,
Sabendo o que ia encontrar no fim da estrada,
E segui sorrindo.
Vem, não tenhas medo! Disses-te…
Aconchega-te nos meus braços, estarei sempre aqui!
Mesmo que as montanhas se movam e o mar desapareça,
A vida se vá e a morte permaneça! Estarei contigo!
Acreditei…
Voei como um pássaro livre por entre os meus sonhos.
Até logo!
E desapareces-te levando contigo toda a esperança depositada,
Até logo! E um sabor amargo de um adeus inexplicado,
Ferindo cada vez mais as minhas asas. E caí!
Como pássaro frágil que esqueceu de voar…

Foto by: a.m

sábado, 24 de maio de 2008

Sentido

Sigo pelas ruas divagando,
Perdida por entre pensamentos fúteis,
Olhando a multidão à minha volta,
Almas divagantes sobre as pedras da calçada,
Risos e sorrisos disfarçados, olhares desonfiados, passos apressados sem razão.
Sento-me sobre as pedras.
Os risos aumentam, os olhares tomam sentido, os passos abrandam.
Passo a ter significado!
Críticas no riso, nos olhares, nos passos que se desviam de mim.
E eis que surge,
Um sorriso sincero e puro, um olhar feliz de uma criança.
Corre na minha direcção, em vão...
Agarram-a e levam-a de volta ao rumo que seguia.
Mas aquele sorriso ficou,
Dando ao meu dia, um sentido.
Foto by: a.m


Ao menino que me fez sorrir e
ver que existem coisas pelas quais vale a pena viver

sábado, 12 de abril de 2008

Anjo...



Mais uma vez,
Voltas por entre murmúrios da alma,
Soletrando em mim palavras vagas
Escritas em linhas desenhadas pelo destino.
Palavras que se soltam e divagam por toda a minha essência,
Recordando caminhos de dor já antes percorridos.
E insistes…
Em permanecer,
Segredando-me ao ouvido de forma doce as palavras mais cruéis!
E eu…
Permaneço muda e inquieta,
E deixo-te, mais uma vez,
Partires levando contigo o que resta da minha felicidade.



foto by: a.m

terça-feira, 11 de março de 2008

Perdida


Perdida...
Num mundo tão presente,
Longe de tudo o que me rodeia,
Não sei, o que me levou para tão longe,
Deixando-me aqui tão presa.
Perdida...
Sem um sentido, sem forças para lutar, num mundo tão cheio de guerras e desprovido de lutas.
Perdida...
De mim, longe dos meus pensamentos, sentimentos, da essencia do meu ser,
Apenas, sentindo uma restia daquilo que fui, fragmentos daquilo que fui.
Já não sei quem sou, onde estou...
Perdida...